Outubro Rosa já azul

Lembram que eu pedi se alguém gostaria de relatar sua experiência com o câncer? Demorou um pouco e já ficou meio azul, mas aí vai a experiência da Yara, uma mãezona que teve que tomar uma decisão difícil na vida dela. Vale a pena a leitura.

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Tudo começou em julho de 2013 quando me internei para o que seria uma simples retirada de uma pinta.

Foi uma cirurgia tranquila, mas quando fui fazer o curativo vi que o médico fez um “buraco” nas minhas costas. Após 15 dias retirada de pontos, que foi alternada devido ao tamanho do corte. Ao terminar a retirada de pontos, quase um mês depois da cirurgia, veio o tão esperado resultado – MELANOMA – OK! O que preciso fazer? Segundo o médico nada. Até então não sabia ao certo o que o melanoma poderia causar. Fiquei tranquila, pois o médico disse que poderia ficar.

Em maio de 2014 ao tomar banho, percebi “algo estranho” na axila, então procurei o médico, fiz exames e lá fui eu para mais uma cirurgia – retirada do “algo estranho” em julho de 2014. Pensei que seria simples, só que não, cirurgia mais complicada e fiquei quase um ano sem movimentar o braço e fazendo fisioterapia todo dia. Resultado do “algo estranho” – MELANOMA METASTÁSICO – Só então me dei conta de que era um câncer extremamente agressivo e sem cura.

Chegou então o grande momento de compartilhar com a família, ou seja, filhos, marido, irmãs e mãe. Estava muito tranquila em relação a doença e queria que todos sentissem o mesmo. Espero ter conseguido.

Procurei um oncologista clínico para tratamento e ele me colocou a par do tratamento existente para o Melanoma, que além de não ter nenhuma garantia possuía efeitos colaterais muito significativos e cruéis. Antes fiz radioterapia, ah essa sim foi muito cruel para mim, não doía, mas me marcaram (riscaram) para fazer exatamente no ponto e tinha que ter vários cuidados especiais, desde roupa até cremes. Eu nunca quis que ninguém me acompanhasse e nunca falei o que senti para ninguém, foi uma experiência que doeu muito, cada sessão terminada doía um pouquinho mais por dentro e foi impossível não chorar ao término de cada uma.

E acabando essa parte tinha que decidir se faria ou não o tratamento indicado pelo médico, sim falo em decidir porque eu queria qualidade de vida e o proposto não garantia nem cura, nem melhora e nem qualidade de vida. Então adivinhem o que escolhi – não farei o tratamento proposto – oh como assim? Foram várias noites de pesquisa na internet, escutei opinião de mais 2 médicos – um a favor por não ter outra coisa para fazer e uma contra pelos motivos que citei, claro que escolhi essa para me acompanhar. Nessa busca pela internet achei alguns medicamentos em pesquisa nos Estados Unidos que estavam sendo eficazes para o Melanoma e sempre conversava com minha médica sobre eles, sim também fazia exames a cada 2 meses para acompanhamento da doença.

Tudo caminhava bem até que em julho de 2015 apareceu novamente o tal de “algo estranho”. Foi então, que por sugestão da minha médica fui para São Paulo e lá participo de uma pesquisa para Melanoma.

Hoje não tenho nada, só mesmo os efeitos colaterais do remédio da pesquisa. Será que são menores que a quimioterapia? Não sei ao certo, mas consigo levar minha vida.

 

Foi uma experiência interessante – nossa como assim interessante? Sim interessante porque refleti muito sobre minha vida. Nunca tive medo de morrer, então isso para mim nunca foi um problema. Pude sentir muito mais a presença de Deus em minha vida e o agir dEle em cada decisão tomada, em cada dificuldade que passava e olha que não foram poucas. Ah e como é bom quando Deus está conosco, como é bom sentir sua presença. Sei que o meu Deus estará comigo mesmo nos piores momentos. Sei também que participando dessa pesquisa ajudarei outras pessoas.

Não posso deixar de falar e agradecer ao meu marido que tem me acompanhado e ajudado todo esse tempo em que descobri o “algo estranho”, aos meus filhos também pela preocupação comigo e a minha mãe e irmãs por orarem sempre por mim.

Hoje posso dizer – Me sinto em paz –

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