História da Gi e das suas filhas com o câncer de mama

Minha história com o Câncer de MAMA

 

Lembro como se fosse ontem. Novembro de 2015, no meu ultrassom de rotina, um nódulo no seio esquerdo. Nada a providenciar. Segui em frente.

Junho de 2016, o incômodo já não era algo a se ignorar. Fui na ginecologista, não havia suspeita, um peito flácido após duas amamentações, mas já de aspecto estranho: enrijecido, pesado e totalmente diferente anatomicamente do outro. Nova solicitação de ultrassom. Pensava que poderia ser do anticoncepcional. Três tipos já havia tentado, para me adaptar aos efeitos colaterais. Segui o curso, sem sequer imaginar a possibilidade de ser câncer. Tinha 38 anos apenas. Na minha inocência ainda era cedo para me preocupar. Dois meses e meio se passaram. Acordei um dia e decidi fazer todos os meus exames e os de rotina das minhas filhas que a pediatra já havia pedido e eu ainda não tinha feito. Foi uma providência divina. Alguns dias depois dessa manhã que ainda é vívida na minha memória, realizei o ultrassom que seria de praxe. Resultado: uma “massa” disforme que nem o médico ultrassonografista conseguia entender. Biópsia. Mamografia. E aí um exame após o outro não me libertaria do diagnóstico: câncer de mama! 9,3 cm! Nunca tinha tido um seio tão “cheio” após amamentar minhas filhas. O tumor era grande e lógico, fiquei assustada. Conversas… Choros… Dúvidas… Morte… Tudo passa pela nossa cabeça. Ainda hoje me emociono ao relembrar cada momento. Ao olhar meu marido, e minhas filhas e pensar que poderia ir embora e não vê-las crescer. Dói. E doeu muito fazer essa fotografia futura da família sem a minha presença. No meu mundo interior busquei força para me manter em pé e fazer o que tinha que ser feito. Mastectomia total. Minhas filhas não entendiam porque a mamãe tinha que ir para o hospital e porque ela voltou com um “dodói” no peito, toda enfaixada e ainda com um dreno nada simpático.

O pós-cirúrgico foi tal como esperado. 15 dias bem intensos. Minha filha mais velha, com 4 anos, queria ver, queria me ajudar com o curativo, queria me confortar com a minha dor. Provavelmente, não ao acaso, ela havia passado por uma cirurgia de retirada da adenóide uma semana antes da minha. Havia se recuperado muito bem e também tinha ficado com “um caninho com agulha na mão” para o soro. Com muita paciência e de forma lúdica eu ia comparando a história dela com a minha. Em nenhum momento as impedi de acompanharem os cuidados; elas me ajudavam a pegar a gaze, o micropore, a pomada cicatrizante. Tudo de forma natural. Hoje depois de um ano, ainda tenho as marcas desse processo: um peito duro, moldado pela prótese submuscular, um músculo peitoral ainda fragilizado que insiste em me lembrar todos os dias do meu trajeto e do meu propósito de vida: viver! E assim, sigo feliz. Posso carregar minhas filhas no colo. Posso brincar com elas. Posso aproveitar a oportunidade de ter sido diagnosticada a tempo de ser curada! Câncer de mama tem cura. Posso fazer escolhas de uma vida saudável. Posso assumir as rédeas da minha vida e a transformar. Minhas filhas, caminhando comigo nessa jornada, com certeza levam consigo um grande aprendizado, mesmo que ainda não o percebam. Ser mãe me fortaleceu para poder passar por essa experiência amarga e a transformá-la ao menos em agridoce: nossos filhos são os nossos maiores motivadores para permanecer nesse mundo cheio de desafios.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s